segunda-feira, 15 de maio de 2017

E tem dias que acordamos brincando com o mundo, se o mundo não deixa, achei a palavra.

Voando

Encontrei o avô
no meu voo
esqueci o u do vou
e escrevi vo
e li vô
E ele a-vô-o

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alma

Certa vez, perguntei a um grande homem se temos alma, com ironia me respondeu: - Devemos ter, né?
Nestas andanças repeti a pergunta a outro grande homem, o qual com equivalente ironia e a grandeza do primeiro me respondeu: - Quiçá um pouco!
Eis que concluo: -Alma não temos, mas bom humor nos sobra.
Já tinha certeza e, então, nestas viagens literárias Maiakovski me responde:
"Da minha alma
se pode fazer também
saias muito elegantes"

https://www.youtube.com/watch?v=CkmIbjJr1n0


domingo, 24 de maio de 2015


Viagem

Cheguei ontem, mas nunca saí de casa
A viagem é sempre um retorno ao que somos
Um mundo a construir da história dos que nos foram...




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

E foram copos
E jogaram flores
E os olhares transbordaram
na pétalas do futuro!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Joana disse a Bia que papai voltaria na primavera. Era apenas uma ideia vaga que ela acreditava que seria esquecida em poucos dias, a menina tinha apenas quatro anos. Joana não sabia, porém, que Bia tinha um grande amigo, o senhor João, vizinho. Todos os dias Bia ia até o portão e conversava com seu João, aposentado. Conversas longas e da maior importância, ainda que muitos não respeitassem. Na conversa ela sempre lembrava de perguntar quanto faltava para a primavera.  Seu João no início dizia que faltava muito, depois falta pouco e, por fim, dizia que a primavera estava chegando. Nas conversas, seu João contava das belezas da primavera e da completa efemeridade de tamanha formosura, explicava o nascimento, a vida e a morte. Explicava a diferença das estações e as mudanças que ocorriam em cada retorno da primavera. Em 21 de setembro seu João acordou feliz, foi ao portão e chamou Bia. Olhou para pequena e com um belo sorriso comunicou: - Amanhã começa a primavera! Bia saiu aos pulos para contar para a mãe que no outro dia papai haveria de chegar e que uma festa deveria ser preparada. Aos prantos Joana explicou à pequena menina que o pai havia morrido. A menina, num requinte próprio da inocência, olhou para mãe, suspirou e disse: - Tudo bem, mas podemos fazer uma festa para primavera? Daquele dia em diante Joana entendeu que Bia talvez um dia tivesse as mesmas tristezas que ela, mas hoje Bia era apenas uma criança, que já é uma vida inteira. 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Era cedo, eu andava, ele andava, cruzamos. Cruzar com alguém no início do dia pode parecer um sonho, pois logo que acordamos os sonhos estão mais próximos.  Ali estava ele, alto, alvo, era Fernando. Nunca imaginei que ele cresceria, mas tenho certeza que era ele, seu olhar era o mesmo. No olhar do Fernando sempre houve o sofrimento do mundo, nem todos têm o sofrimento do mundo, mas quem tem não é confundido jamais. O sofrimento do mundo não envelhece,  troca de ano, de cidade, às vezes muda de país, mas não envelhece jamais. O sofrimento do mundo será uma eterna criança, até que construamos outro mundo.

sábado, 13 de abril de 2013


Jorge Luis Borges

Estava digerindo um conto de Borges, quando recordei  o gosto  dos temperos. Tenho a sensação que Borges sempre me causa ânsias, apesar do requinte e do sabor.  A comida tem destas coisas, prazer, medo, náuseas... Borges...